Mar.

dezembro 04, 2005

Homo


Nenhum de vós ao certo me conhece,
Astros do espaço, ramos do arvoredo,
Nenhum adivinhou o meu segredo,
Nenhum interpretou a minha prece...

Ninguém sabe quem sou... e mais, parece
Que há dez mil anos já, neste degredo,
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo
E me contempla a aurora que alvorece...

Sou um parto da Terra monstruoso;
Do húmus primitivo e tenebroso
Geração casual, sem pai nem mãe...

Misto infeliz de trevas e de brilho,
Sou talvez Satanás - talvez um filho
Bastardo de Jeová - talvez ninguém!

Antero de Quental

1 ondas:

  • At 8:11 da tarde, Blogger solquartocrescente said…

    Infelizmente somos nós,humanidade
    Misto de luz e escuridão

    Infelizmente muitos se perderam ou na escuridão ou então estão perdidos e não vêm luz à frente

    Pobres de todos nós.
    Uma vela a cada local
    Um candeeiro para iluminar de luz radiante todos vós!

     

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